

Em maio, a inflação da indústria registrou o seu maior aumento dos últimos cinco anos. De acordo com o IPP (Índice de Preços ao Produto) do IBGE, que não mede fretes e tributos, os preços médios ficaram 2,63% mais elevados em relação a abril. Até então, o pico da série histórica estava em março de 2022 (+3,12%) – época do choque de preços gerado pelo começo da guerra na Ucrânia. O reajuste reforçado nos preços da manufatura foi puxado mais pela indústria extrativa (+4,92%) do que pela de transformação (+2,51%), refletindo principalmente o encarecimento na cadeia petrolífera, decorrente da guerra no Oriente Médio.
A conclusão é que a variação média dos preços de “porta de fábrica” deixou para trás a inflação oficial do mês. Medido pelo mesmo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) pontuou elevação de 0,58% em maio, mais de dois pontos percentuais abaixo da variação dos valores da indústria brasileira. O mesmo desnível ocorreu no acumulado do ano (+5,12% contra 3,20%, respectivamente). Em um horizonte mais longo, no entanto, o jogo se inverte em favor da manufatura (+1,07% contra 4,72%, na ordem), refletindo o cenário positivo vivido pelo setor até então.
Entre abril e maio, 21 das 24 atividades industriais pesquisadas ficaram mais caras. Os três aumentos mais intensos vieram das divisões de produtos químicos (+9,91%); borracha e plástico (+7,31%); refino de petróleo e biocombustíveis (+6,44%); e indústrias extrativas (4,92%). Outros segmentos de participação no PIM também influenciaram a alta, principalmente “equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos” (+2,27%), “máquinas aparelhos e materiais elétricos” (+1,65%), em detrimento de “outros equipamentos de transporte” (-1,82%). Produtos químicos (+17,66%) e borracha e material plástico (+9,37%) também puxaram os reajustes do ano.
Pela perspectiva das “grandes categorias econômicas”, o aumento mensal observado na indústria foi induzido principalmente pelos bens intermediários (+4,10%), seguidos pelos bens de capital (+1,26%). Os bens de consumo (+0,78%), que predominam no Polo Industrial de Manaus, variaram menos. De janeiro a maio, os bens de capital (-0,77%) sofreram redução, em alta puxada também pelos bens intermediários (+8,11%). Houve incremento de 2,17% para os bens de consumo, mas os repasses se limitaram aos bens de consumo semiduráveis e não duráveis (+2,61%), em detrimento dos duráveis (-0,09%). Em 12 meses, apenas os bens intermediários (+2,37%) ficaram mais caros, em cenário deflacionário para bens capital (-0,06%) e de consumo (+0,56%).
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