

A produção industrial do Amazonas voltou a tropeçar em abril. A atividade recuou 0,8% em relação a março, quebrando uma sequência de três altas consecutivas. O confronto com abril do ano passado mostrou número pior, com um tombo de 4,2%. Foi o terceiro pior resultado do país, eliminando o breve respiro de março (+3,8%). Cinco das 11 atividades pesquisadas submergiram, principalmente “máquinas e equipamentos” (responsável pela produção de condicionadores de ar) e produtos químicos. Em contraste, a média brasileira do setor (+0,7%, +2,7%, respectivamente) cresceu em ambas as comparações.
A manufatura estadual se aprofundou no vermelho no trimestre (-3,5%), com tombos disseminados em oito segmentos. Só as divisões mais tradicionais do PIM representadas por “outros equipamentos de transporte” (+9,8%) e “equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos” (+6,8%) foram na direção contrária, além de bebidas (+4%). Já o acumulado dos últimos 12 meses (-0,7%) caiu para o campo negativo, após quatro meses resvalando na estagnação. O Estado ficou atrás da média da indústria nacional em ambas as comparações (+1,7% e +0,7%, na ordem). Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal Regional, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Somente nove das 17 unidades federativas acompanhadas cresceram entre fevereiro e março. Com o recuo de 0,8%, o Amazonas caiu da quarta para a 11ª posição. Bahia (+3%) e Mato Grosso (-5,2%) ficaram nos extremos. A regressão de 4,2% em relação a abril de 2025, fez o Estado desabar da oitava para a 15ª colocação, em um rol iniciado por Espírito Santo (+32,9%) e encerrado pelo Rio Grande do Norte (-13,6%). Com o tropeço no quadrimestre (-3,5%) desceu para o 13º lugar. Em 12 meses (-0,7%), a indústria amazonense detém o décimo melhor desempenho do país.
No confronto com abril de 2025, a indústria extrativa (que produz óleo bruto de petróleo) do Amazonas encolheu 2,9%. A indústria de transformação cavou mais fundo (-4,3%), em resultado simétrico ao de março (+4,2%). Ainda assim, metade de suas atividades industriais sondadas pelo IBGE foram na direção contrária: derivados de petróleo e biocombustíveis (gás natural, gasolina e querosene com +24,4%); bebidas (+9,2%); produtos de borracha e material plástico (+8,6%); equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (celulares, computadores e máquinas digitais, com +8,3%); e “outros equipamentos de transportes” (motocicletas, bicicletas e embarcações, com +4,4%).
Na outra ponta, a queda interanual da indústria de transformação foi induzida efetivamente por cinco de suas divisões industriais, incluindo máquinas e equipamentos (condicionadores de ar e terminais bancários, com -53,1%); produtos químicos (metais preciosos, inseticidas, nitrogênio e desinfetantes, com -32,8%); “produtos diversos” (artefatos de joalheria, isqueiros, lentes oculares, lápis, e fitas para impressoras, com -15,2%);máquinas, aparelhos e materiais elétricos (conversores, alarmes, condutores e baterias, com -11,2%); e produtos de metal (lâminas, aparelhos de barbear, estruturas de ferro, com -10,6%).
O presidente da Fieam e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva, ressaltou à reportagem que os dados do IBGE refletem um “movimento de ajuste”, após uma sequência de resultados positivos no primeiro trimestre. “Embora o desempenho estadual destoe temporariamente da média nacional, é fundamental compreender que a indústria amazonense possui dinâmica própria. Nosso Polo é fortemente concentrado na produção de bens de alto valor agregado, o que naturalmente sujeita o setor a calibrações de estoque mais sensíveis e a ciclos específicos de adequação à demanda interna”, explicou.
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