

“Ninguém ajuda quem não quer ser ajudado” é daquelas frases da sabedoria popular que, na nossa vez, a gente torce para que esteja errada. Falo por mim. Quantas vezes já não achei que era minha a responsabilidade por tirar o outro do buraco, por ajudar aqui ou ali, por me colocar em situações que – honestamente – minha ajuda nem havia sido solicitada?
Sem nem perceber, a gente entra num modo onipotente que se acha muito capaz de auxiliar em questões que, por mais que percebamos o potencial de mudança, essa transformação em nada depende do nosso esforço. E sempre que trago um padrão de comportamento aqui, você já sabe que estou me referindo a tudo: nas relações amorosas, familiares, no trabalho, até entre amigos. O padrão nosso se repete por onde a gente vai.
E por muito tempo, eu achava que querer ajudar o outro – mesmo quando ele definitivamente não se ajudava – era um gesto de doação, de comprometimento, de entrega, de amor. Eu só precisava me esforçar mais um pouco, orientar mais um pouco, mostrar mais um pouco a importância de tal mudança… E o resultado é que nada de diferente acontecia. Óbvio. Mas só é óbvio agora, que os acontecimentos estão distantes o bastante para eu não me fusionar. É que, quando muito próximos, a gente se mistura demais e deixa de perceber as bordas. As nossas, as do outro. Bordas, um eufemismo para limites.
Achamos que é da nossa conta coisas que não são. Insistimos para que enxerguem o que os nossos olhos estão vendo. Isso quando não nos sentimos injustiçados por situações das quais a gente mesmo dissolveu as bordas (os tais limites!) e agora ficou mais difícil de separar.
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