

Enquanto o conflito no Oriente Médio eleva os preços do petróleo e ameaça uma nova rodada de inflação, as expectativas de inflação bem ancoradas na América Latina estão preparadas para ajudar a amortecer o impacto — mesmo com alguns dos principais bancos centrais considerando a redução das taxas de juros.
Para a maioria dos países da região, os choques de oferta pós-pandemia não elevaram as expectativas de inflação de longo prazo — o que pessoas, empresas e analistas esperam que seja a inflação nos próximos anos —, mesmo em meio a uma inflação mais alta no curto prazo.
Nosso estudo mostra que essas expectativas bem ancoradas ajudam a limitar a transmissão dos choques de preços de energia e outras commodities para os preços ao consumidor, porque não se espera que os preços de importação mais altos hoje se traduzam em inflação persistentemente mais alta amanhã.
Este estudo baseia-se em pesquisas anteriores do FMI para demonstrar como uma ancoragem mais forte reduz significativamente o impacto inflacionário dos choques nos termos de troca — quando o preço das exportações de um país varia em relação ao preço de suas importações — em mercados emergentes. Expectativas estáveis podem ajudar os formuladores de políticas a gerenciar melhor as compensações diante de choques nos preços do petróleo.
As principais economias da América Latina agora se beneficiam de expectativas de inflação mais bem ancoradas, resultado de reformas institucionais iniciadas há cerca de 25 anos. Essas mudanças incluíram a adoção de metas de inflação, o fortalecimento da independência do banco central e o fim da dominância fiscal.
Essas reformas influenciaram positivamente as percepções sobre os preços. Embora as previsões de inflação na América Latina permaneçam, em média, mais distantes da meta do que nas economias avançadas, a dispersão de opiniões é semelhante em ambos os grupos de países. Isso condiz com a percepção de que os formuladores de políticas são confiáveis e atuam dentro de estruturas sujeitas a restrições institucionais.
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