

A disparada dos custos de fertilizantes provocada pela guerra no Irã atinge os agricultores brasileiros no pior momento possível, e reforça como o conflito no Oriente Médio ameaça o abastecimento global de alimentos.
Os produtores brasileiros já enfrentavam preços mais baixos das commodities, acesso restrito ao crédito, endividamento elevado, câmbio desfavorável e custos crescentes para transportar mercadorias aos portos. Agora, a rápida alta dos fertilizantes leva a situação a um ponto crítico, e muitos agricultores passaram a rever investimentos em terras e insumos diante da próxima safra.
É o caso da soja, principal cultura agrícola do país. A área plantada deve crescer no ritmo mais lento em 20 anos na temporada que começa em setembro, segundo a empresa de inteligência de mercado Veeries. A consultoria Agroconsult apresentou recentemente uma projeção semelhante, enquanto estimativas de analistas da Datagro apontam para a menor expansão em uma década.
A mudança tem potencial para provocar impactos em toda a agricultura global. A soja brasileira abundante e de baixo custo ajudou a elevar os estoques internacionais da oleaginosa usada na produção de óleo de cozinha e ração animal. O país é o principal fornecedor da China, maior compradora mundial de commodities agrícolas. Uma desaceleração no Brasil pode significar inflação adicional de alimentos na Ásia e em outras regiões, à medida que importadores disputam a oferta disponível.
No Brasil, o pessimismo no agronegócio se espalha. O índice de sentimento do produtor calculado pela Bloomberg Intelligence caiu ao menor nível em mais de um ano.
O agronegócio responde por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto brasileiro, segundo algumas métricas, e produtores pressionados financeiramente pedem mais crédito subsidiado e ampliação do seguro rural.
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