

A América Latina vive uma combinação simultânea de aumento no desejo de emigrar e maior resistência à chegada de estrangeiros, segundo o Relatório sobre Democracia e Desenvolvimento 2026 do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), divulgado nesta segunda-feira, 11.
O levantamento indica que a migração passou a funcionar como um indicador das tensões sociais e políticas da região, refletindo tanto a insatisfação com condições econômicas quanto o desgaste da confiança institucional.
De acordo com o relatório, 32% dos latino-americanos afirmam hoje ter intenção de viver fora de seus países nos próximos anos. Em 2004, esse percentual era de 21%, mostrando uma tendência de alta continua nas últimas décadas.
Em paralelo, a percepção sobre imigração também se deteriorou: mais da metade da população da região considera negativa a chegada de imigrantes.
Segundo o Pnud, o avanço da intenção de emigrar está diretamente ligado à percepção de fragilidade institucional e à piora das expectativas econômicas em diversos países da região.
Outro ponto destacado pelo estudo é a transformação do padrão migratório. O fluxo, antes concentrado em direção aos Estados Unidos e à Europa, passou a ser cada vez mais intrarregional.
O crescimento mais intenso ocorreu entre 2015 e 2020, quando a migração intrarregional avançou 84%, impulsionada principalmente pela crise venezuelana e pelo endurecimento de políticas migratórias em países desenvolvidos.
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