

Há indústrias que ficam invisíveis de tão presentes. A de tintas é uma delas. Cobre a parede atrás do sofá, o capô do carro, a ponte que você atravessou, o navio que cruza o oceano e a plataforma que extrai petróleo do mar — e está ali para que essas estruturas não enferrugem nem corroam. A função decorativa vem depois.
É uma indústria que movimenta globalmente cerca de US$ 200 bilhões (cerca de R$ 1 trilhão) por ano e tem o Brasil como quarto maior produtor, atrás apenas dos gigantescos China, Estados Unidos e Índia. O país não só se tornou peça grande no mapa global como ganha relevância ao crescer acima da média.
Segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati), o Brasil responde por cerca de metade do volume produzido em toda a América Latina e abriga seis das dez maiores empresas globais do setor — Sherwin-Williams, PPG, AkzoNobel, Nippon Paint, Axalta e Jotun.
“Somos o primeiro do resto”, brinca Luiz Cornacchioni, presidente-executivo da entidade, em entrevista ao InvestNews, para em seguida enumerar as “vitórias” da indústria local. “Passamos a Alemanha, passamos a França, passamos a Inglaterra. Não tem jogo.”
E há espaço para crescer, segundo ele. O consumo per capita no Brasil é de 9 litros de tinta por habitante ao ano; em mercados desenvolvidos, passa de 15. “São 6 litros por habitante de campo [de crescimento potencial]. Logicamente não é algo que vai acontecer de hoje para amanhã, mas você tem um horizonte de crescimento bastante importante”, afirmou Cornacchioni.
Tintas imobiliárias respondem por 74,6% do volume produzido no país e estão amarradas a ciclos de obra, reforma e renda. O restante se distribui entre tintas industriais (19,8%), repintura automotiva (3,8%) e tintas para montadoras (1,8%) — todas com função de proteção antes da estética.
Das dez maiores fabricantes globais, seis montaram plantas no Brasil — e as outras quatro praticamente não exportam para cá, porque não compensa. Em uma indústria em que o produto pronto perde competitividade ao atravessar o Atlântico, escala local vale mais que apresentação global. Quem cresce no Brasil acaba comprando, junto com a marca, fábrica, distribuição e varejo.
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