

O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Alban, criticou o acordo firmado entre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente Lula sobre o fim da escala 6×1 e afirmou que a proposta tem motivação “estritamente eleitoral”.
À coluna, Alban disse que o setor produtivo não é contrário à discussão sobre mudanças na jornada de trabalho, mas avaliou que o prazo previsto para adaptação das empresas inviabiliza qualquer planejamento, especialmente para pequenos e médios empresários.
“Dar 60 dias depois de promulgar para entrar em vigor é uma assinatura mais do que clara de que o motivo é estritamente eleitoral. Não há preocupação com o real benefício. Uma conquista efetiva para o trabalhador precisaria ser discutida melhor”, afirmou o chefe da CNI na segunda-feira.
Segundo o presidente da CNI, a proposta foi construída “de forma açodada” e pode gerar aumento de preços ao consumidor por falta de tempo para adaptação das empresas.
“Em 60 dias, você contrata mão de obra onde? Nós não temos. Em 60 dias, você ajusta a produtividade de que forma, sem avanço tecnológico da noite para o dia? O que vai acontecer é repasse de preço”, disse.
Alban afirmou ainda que empresários defendiam uma transição gradual na redução da carga horária semanal, com um período maior de adaptação.
“Nós conversamos muito sobre uma transição entre 44 e 40 horas, com pelo menos um ano de adaptação. Mesmo assim, ao longo de quatro anos. Agora, em 60 dias, como pequenas e médias empresas vão se planejar? Vão recorrer a hora extra para cobrir a demanda”, declarou.
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