

Uma diferença de mais de 14 anos na expectativa de vida entre grupos distintos da população brasileira expõe um cenário de desigualdades profundas, onde a longevidade é condicionada por fatores muito além da biologia.
Três pilares determinam esse abismo entre uma existência longa e uma morte precoce: as diferenças de gênero, que respondem por 56% do intervalo; as desigualdades raciais, que representam 23%; e as disparidades regionais, responsáveis por 21% da variação.
Na prática, enquanto a estimativa de vida ao nascer para um homem negro em Alagoas é de 66,7 anos, uma mulher branca residente em Santa Catarina pode esperar viver, em média, 80,9 anos.
Os dados são do IMDS (Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social) em parceria com o Cedeplar/UFMG. O estudo destaca que, desconsiderando a questão de gênero, o local de residência e a cor da pele operam como determinantes críticos das chances de envelhecer no país.
Geograficamente, Santa Catarina se destaca na longevidade tanto de mulheres e homens quanto de brancos e negros (pretos e pardos). Na outra ponta, Alagoas tem a menor expectativa de vida para todos os grupos.
Regionalmente, os piores indicadores para a população negra estão concentrados em estados do Nordeste e do Norte, contrastando com os resultados mais favoráveis observados no Sul e Sudeste.
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