

O Brasil entrou em 2026 com um paradoxo econômico difícil de ignorar. O desemprego caiu, a inflação perdeu força e o crédito voltou a circular. Ainda assim, as famílias brasileiras nunca estiveram tão endividadas. Segundo dados do Banco Central, o comprometimento da renda das famílias atingiu 49,9% em fevereiro, o maior nível da série histórica iniciada em 2005. Ao mesmo tempo, o país alcançou a marca de 73 milhões de inadimplentes.
Em circunstâncias normais, a melhora do mercado de trabalho e a desaceleração inflacionária tenderiam a aliviar a pressão financeira doméstica. O que ocorreu foi o oposto
No centro dessa deterioração está um fenômeno que deixou de ser apenas comportamental para assumir dimensão macroeconômica: a explosão das apostas online
Em apenas três anos, as chamadas bets passaram de nicho digital a um dos maiores canais de drenagem de renda da economia brasileira. Impulsionado pela regulamentação e pela popularização do Pix, o setor movimenta hoje entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões por mês e já transformou o Brasil no quinto maior mercado global de apostas online.
Os números ajudam a dimensionar essa transformação. Segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC), mais de 25 milhões de brasileiros realizaram apostas em 2025.
Já um estudo da parceria entre a Tendências Consultoria e a Peers Consulting estima que o mercado de bets deve gerar receita bruta de R$ 37 bilhões neste ano. Mas o dado que mais preocupa economistas não está no tamanho da indústria, e sim no impacto dela sobre as finanças das famílias.
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