

Durante anos, o robô humanoide parecia coisa de ficção científica. E por uma boa razão: era exatamente isso que as empresas do setor estavam vendendo.
As demonstrações eram cuidadosamente coreografadas. À época, robôs que caminhavam com perfeição em superfícies lisas e travavam ao encontrar um tapete. Comunicados de imprensa escritos em 2019 anunciava uma implantação comercial em 2024.
No setor, circulava uma piada interna que o robô capaz de fazer trabalho real estava sempre a dez anos de distância. Em 2005, estava a dez anos. Em 2015, continuava a dez anos. Em 2023, nada havia mudado.
Então o prazo diminuiu. Isso porque componentes ficaram baratos o suficiente, softwares de controle bons o suficiente, e algumas empresas decidiram parar de aperfeiçoar protótipos e começar a mandar robôs para fábricas reais — onde teriam que funcionar de verdade, sem câmera no ângulo certo e sem engenheiro segurando o cabo de emergência.
O Goldman Sachs projetava um mercado de US$ 6 bilhões para humanoides até 2035 e revisou para US$ 38 bilhões, mais de seis vezes a estimativa anterior, numa revisão que o próprio banco atribuiu à queda acelerada nos custos de componentes.
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