

BOSTON - Num laboratório da IBM dentro do campus do MIT, em Cambridge, Massachusetts, o pesquisador Borja Peropadre busca na tradicional lista telefônica uma forma de explicar uma nova era, a da computação quântica.
"Imagine uma lista com um milhão de nomes e números. Se você pedir por um nome específico, o computador vai achar na hora. Agora, se você pedir para pesquisar um número aleatório, serão necessárias um milhão de ordens", explica. "Um computador quântico, por sua vez, resolve com mil ordens, cada uma delas contendo mil buscas. Resolve em 0,001% do tempo".
A vantagem da computação quântica, diz Peropadre, está justamente em operar em diversas dimensões simultâneas, trocando os tradicionais bits — que assumem valor 0 ou 1 — pelos qubits, que podem assumir ambos os valores ao mesmo tempo graças ao princípio físico da superposição quântica.
O conceito faz parte de pesquisas e rodas de cafés acadêmicos há quase 50 anos: o físico Richard Feynman propôs as bases teóricas do computador quântico em 1982, e Peter Shor demonstrou em 1994 que a máquina poderia fatorar números enormes exponencialmente mais rápido que qualquer computador clássico — resultado que ainda hoje orienta a área.
Mas, para a IBM, que pesquisa física quântica pelo menos desde 1980, a hora de passar da teoria para a prática chegou. "Os computadores quânticos já são viáveis como uma ferramenta científica. Como um diferencial de negócio para o mercado em geral devem ser viáveis em 2029", diz Jay Gambetta, diretor de pesquisa da IBM
"Os computadores quânticos já são viáveis como uma ferramenta científica. Como um diferencial de negócio para o mercado em geral devem ser viáveis em 2029", diz Jay Gambetta, diretor de pesquisa da IBM e IBM Fellow, que também preside o novo MIT-IBM Computing Research Lab.
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